Eficiência Energética

Países não podem perder o foco na eficiência energética, diz AIE

Os governos mundiais têm de manter o seu foco nas políticas de promoção da eficiência energética, caso contrário há o risco de a aceleração nos ganhos conseguidos nos últimos anos nesta matéria abrandar. O alerta é deixado pela Agência Internacional de Energia (AIE), no relatório Energy Efficiency 2017, publicado no início deste mês e que apela a uma maior atenção na eficiência energética dos equipamentos de climatização.

Apesar das melhorias alcançadas no sector dos edifícios desde 2000, é ainda possível fazer muito mais, conclui o relatório. As políticas existentes têm-se focado na envolvente do edifícios (em países como Alemanha ou Dinamarca este têm sido o principal impulsionador para os regulamentos), deixando em segundo plano os equipamentos de aquecimento, arrefecimento e AVAC (que funcionam melhor em países como a Coreia do Sul e Japão). Estima-se que o potencial de melhoria ao nível da eficiência dos equipamentos domésticos e iluminação esteja entre os 10 e os 20 % na maioria dos países.

A AIE faz questão de destacar o momentum vivido no sector da iluminação eficiente, prevendo que em 2022 90% da iluminação interior seja feita por lâmpadas fluorescentes compactas e LED. Outra das principais tendências para a eficiência energética nos edifícios tem sido o uso as novas tecnologias e a digitalização – contadores inteligentes, sistemas de controlo e Big Data. Nesse sentido, a AIE constata o aumento do número de dispositivos conectados nos edifícios a nível global, o que representa uma oportunidade para alcançar mais poupanças energéticas, assim como um controlo mais rigoroso do uso de energia.

Graças às medidas e políticas de eficiência energética implementadas desde o início do milénio, a AIE estima que o uso de energia teria sido 12 % superior em 2016 – o equivalente a adicionar uma segunda União Europeia ao mercado energético global. No ano que passou, a intensidade energética global, ou seja, a quantidade de energia necessária para gerar uma unidade do PIB, caiu 1,8 % em 2016, o que, para a AIE, mostra que a economia global conseguiu gerar mais valor a partir da energia de que dispõe.

Todavia, a análise da agência internacional aponta algumas tendências nas políticas “preocupantes”, começando pelo facto de os regulamentos e normas para a eficiência energética só cobrirem actualmente 32 % do uso de energia mundial. Mais, metade dessa cobertura advém de políticas existentes e, por sua vez, houve também um abrandamento do reforço das políticas comparativamente aos últimos anos, mostra o Efficiency Policy Progress Index da AIE.

“Houve um abrandamento evidente na implementação de novas políticas em 2016 e esta tendência parece ser para continuar em 2017”, admitiu o director executivo da AIE, Fatih Birol. “Os países devem concentrar-se em abordar os mais de 68 % de consumo energético global que não é coberto pelos regulamentos ou normas. Um dos mandatos chave da AIE é ajudar os países a perseguir este objectivo muito importante através da partilha de melhores práticas e de aprendizagem uns com os outros”, recomendou.

O relatório da AIE está disponível na íntegra aqui.

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